segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Sedimentos Oceânicos e a Idade da Terra

© 1995

Um dos argumentos a favor de uma terra com idade recente repetidos com mais freqüência pelo criacionista Henry Morris centra-se no fluxo de sedimentos dos rios para os oceanos. O raciocínio de Morris é o seguinte: se medirmos a quantidade de alguns minerais, como níquel, sódio, estanho ou magnésio, sendo lançados nas bacias oceânicas pelos rios do mundo cada ano, e depois medirmos a quantidade destes minerais que já foi depositada nos oceanos, podemos presumivelmente calcular quantos anos levaria para acumular estes sedimentos, e conseqüentemente a idade dos oceanos (e presumivelmente da terra). Morris apresenta os dados resultantes numa tabela:

Elemento
Químico
Anos de Acumulação no Oceano
devido a Fluxo dos Rios
Sódio 260.000.000
Magnésio 45.000.000
Silicone 8.000
Potássio 11.000.000
Cobre 50.000
Ouro 560.000
Prata 2.100.000
Mercúrio 42.000
Chumbo 2.000
Estanho 100.000
Níquel 9.000
Urânio 500.000

(Morris, Scientific Creationism, 1974, p. 154)

No parágrafo imediatamente depois dessa tabela, Morris também menciona casualmente que o número para o elemento alumínio é apenas 100 anos (Morris, Scientific Creationism, 1974, p. 154). E qual é a conclusão de Morris? "O mero fato de que o conteúdo de níquel do oceano pode ter-se acumulado a partir de influxo de rios em cerca de 9.000 anos parece estabelecer um limite superior para a idade do oceano." (Morris, Scientific Creationism, 1974, p. 153)

Mas porquê o níquel? Por que não a prata, que dá uma idade de 2,1 milhões de anos, ou o sódio, que dá uma idade de 260 milhões? A resposta, é claro, é que Morris já "sabe" quão antiga é a terra -- Deus disse-lhe que a terra tem menos de 10.000 anos de idade. Por isso ele sente-se livre para selecionar da sua tabela as datas que gosta, e rejeitar as outras que não gosta, sem explicação. A partir dos dados que Morris apresentou, também poderíamos igualmente concluir (do número relativo ao fluxo do alumínio) que a terra só tem 100 anos de idade, e que a Declaração de Independência, a Guerra de 1812 e a Guerra Civil Americana realmente nunca ocorreram. (Presumivelmente, todas as indicações de que estas coisas aconteceram mesmo são simplesmente parte da "aparência de antigüidade" que os criacionistas alegam que Deus deu ao universo.)

Dada a grande disparidade que resulta do "método de datação" de Morris (que dá "idades" variando entre 260 milhões de anos e apenas 100 anos), não nos deve surpreender que o raciocínio dele esteja errado e que a metodologia que ele está a seguir se desmorone. É verdade que há uma taxa à qual estes vários metais são depositados nos oceanos pelo influxo dos rios. Mas também há vários processos que removem estes minerais dos oceanos -- um processo importante é a sobreposição dos leitos oceânicos através das placas tectônicas. Conseqüentemente, os números que Morris cita não representam idades possíveis para o mar -- representam meramente o período médio de tempo que um metal permanece no mar antes de ser removido por métodos físicos ou químicos. Como seria de esperar, as substâncias mais inertes, como a prata ou o magnésio, permanecem mais tempo, ao passo que elementos altamente radioativos como o alumínio são removidos rapidamente. Os dados de Morris sobre o influxo de rios são simplesmente irrelevantes para a questão de saber quão antiga é a terra.


Publicado em: 2001-08-11
Tradução: João Rodrigues
Texto original em: http://geocities.com/lflank/riverflo.htm
Leitura recomendada: Accumulation of metals into the oceans

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Evolução vs. Intelligent Design - O caso Kitzmiller vs. Dover

Trata-se do conflito existente entre os defensores da Teoria da Evolução, de Charles Darwin e do Intelligent Design, da autoria de Michael J. Behe.

Esta discussão - que na minha opinião nunca deveria ter lugar - assumiu uma grande popularidade num passado recente quando a administração de uma escola em Dover, na Pensilvânia (EUA) tentou introduzir no programa o ensino do Intelligent Design, tentando gorar e descredibilizar as teorias neodarwinistas.

A reação fez-se sentir e um conjunto de pais de alunos daquela escola intentou uma ação judicial contra a administração escolar.

Este processo, a tramitação que levou, bem como a decisão final tomada pelo Juíz (que, e bem, foi favorável ao grupo de pais que levantou o processo judicial, apesar dele ter sido indicado pelo presidente Bush (cristão), apenas para informar alguns sites criacionistas que acham que a sentença foi "tendenciosa") mas, pode ser de forma muito sólida, coerente e eficaz observada neste site(http://www.pbs.org/wgbh/nova/id/), onde se podem ver os 12 capítulos de uma emissão televisiva acerca deste caso controverso.


A visita, apesar de o site se encontrar em inglês, é essencial e demonstra como ainda se encontra bom senso, ponderação e sentimento de justiça, bem como sensatas afirmações de defesa do laicismo no sistema judicial americano.

Para compreenderem melhor a teoria da evolução, de uma forma didática e extremamente interessante, com dedicação de espaços a professores e alunos, a visita a este site (http://www.pbs.org/wgbh/evolution/) é obrigatória.

Para aqueles que estiverem interessados em verificar quais as falácias encontradas nos discursos argumentativos dos Criacionistas, visitem esta página (http://www.daltonator.net/durandal/creationism/fallacies.shtml) (com uma certa dose de humor), mais uma vez em inglês.

Desenho…Inteligente??? Daaahhh